As produções científicas discutem relações de gênero, colonialismo e direitos humanos e demonstram a importância da pesquisa na formação de profissionais comprometidos com a transformação social
A pesquisa científica desenvolvida por acadêmicos do curso de Psicologia da Universidade Paranaense (Unipar) ganhou espaço em um dos principais eventos nacionais dedicados ao debate sobre políticas públicas, direitos sociais e Serviço Social.
Dois artigos produzidos por estudantes da instituição foram aprovados e publicados nos anais do VI Congresso Internacional de Política Social e Serviço Social: Desafios Contemporâneos, promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em conjunto com o VII Seminário Nacional de Território e Gestão de Políticas Sociais e o VI Congresso de Direito à Cidade e Justiça Ambiental, entre os dias 25 a 29 de julho.
O congresso reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de diferentes regiões do Brasil e também do exterior. O tema desta edição foi "Conservadorismos no Brasil e no mundo: entre retrocessos autoritários e resistências coletivas", com uma programação voltada à discussão dos desafios enfrentados pelas políticas públicas, dos direitos humanos, das desigualdades sociais e das estratégias de enfrentamento construídas coletivamente em diferentes áreas do conhecimento.
Pesquisas abordam gênero e relações sociais
Dentro da programação interdisciplinar, a Psicologia participou dos debates com pesquisas voltadas à compreensão dos fenômenos sociais, das relações humanas e dos impactos das estruturas políticas e culturais sobre a vida das pessoas.
Representando a Unipar, os acadêmicos tiveram dois trabalhos aprovados para publicação nos anais do evento, levando ao congresso estudos desenvolvidos durante a formação universitária.
Os artigos publicados foram "Estórias que moldaram a história! – A expectativa de gênero promovida pelos contos de fadas tradicionais como ferramenta de (des)manutenção do patriarcado", que analisa de que maneira narrativas clássicas contribuem para a construção e a manutenção de papéis de gênero ao longo da história, e "Colonialismo, violência de gênero e monogamia: uma ótica decolonial dos afetos e dos laços sociais", pesquisa que propõe uma reflexão crítica sobre as relações afetivas e sociais a partir de uma perspectiva decolonial, relacionando colonialismo, violência de gênero e modelos tradicionais de organização das relações humanas.
Para Nicoli Vilaça Nogueira, estudante de Psicologia da Unipar em Cascavel e uma das autoras dos trabalhos, a escolha dos temas está relacionada à necessidade de discutir questões de gênero ainda presentes na sociedade e buscar alternativas para lidar com padrões construídos culturalmente.
“Nós, como grupo, estudantes de psicologia, achamos de extrema importância estar trazendo temas que relevam as questões de gênero trazendo oportunidades e opções para lidar com as problemáticas patriarcais trazidas pelos contos de fadas, que reforçam diariamente um padrão tóxico para vida de milhares de crianças”.
Experiência com pesquisa durante a graduação
A participação no congresso também proporcionou aos estudantes contato com outras pesquisas e com diferentes perspectivas sobre os problemas sociais discutidos no meio acadêmico.
Para Augusto Mugnai, docente e orientador dos trabalhos, essa experiência permite aos alunos perceberem a relação entre o conhecimento produzido em sala de aula e a prática científica.
“Os acadêmicos experimentarem a pesquisa cientifica é perceberem a indissociabilidade entre teoria e prática, fundamentalmente, o desenvolvimento do pensamento crítico, a autonomia intelectual, o impacto social e o entendimento que o conhecimento não é estático”.
Um dos autores dos artigos e estudante do curso de Psicologia, José Marczewski Neto, também destaca a importância de participar de uma produção científica durante a graduação e de ter o trabalho publicado em um evento promovido por uma universidade pública.
“A pesquisa é uma das partes mais importantes da formação profissional, ter a oportunidade de engajar com isso durante a faculdade e publicar em meios científicos como os da UEL foi bastante gratificante para a minha experiência acadêmica. Demonstra como a ciência está em constante desenvolvimento”, disse.
Debates sobre desigualdade e políticas públicas
Ao longo do congresso, os participantes acompanharam palestras, mesas-redondas, grupos de trabalho e apresentações científicas sobre temas ligados às desigualdades estruturais, aos direitos sociais, às políticas públicas e aos desafios enfrentados por profissionais que trabalham com a promoção da cidadania e da saúde coletiva.
Para o curso de Psicologia da Unipar, a participação em atividades desse tipo amplia a compreensão de que o sofrimento humano não pode ser analisado apenas a partir de uma perspectiva individual. Os debates apresentados durante o evento trataram também da relação entre o mal-estar vivido na sociedade contemporânea e as desigualdades sociais, econômicas, culturais e políticas presentes na realidade brasileira.
A discussão também abordou a atuação da Psicologia no país e a necessidade de uma prática profissional baseada em princípios éticos, científicos e sociais.
Além da escuta e do conhecimento técnico, os profissionais precisam compreender os territórios em que atuam, o funcionamento das políticas públicas e as diferentes formas de organização da sociedade.
Nesse contexto, a atuação profissional pode contribuir para a criação de estratégias coletivas de cuidado, acolhimento e fortalecimento das comunidades, levando em consideração as características e as necessidades de cada território.
SUS e SUAS entram no debate
Outro tema presente nas discussões do congresso foi o papel das políticas públicas de proteção social, especialmente o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Os debates abordaram os efeitos que o desconhecimento e as interpretações distorcidas sobre a função desses sistemas podem provocar na garantia de direitos da população.
A discussão também apontou a necessidade de profissionais preparados para atuar de maneira integrada, crítica e comprometida com a defesa das políticas públicas e dos direitos sociais.
Última atualização em 28 de Agosto de 2026 às 17:47