A Universidade Paranaense (Unipar) realizou, entre os dias 14 e 17 de setembro, a 30ª edição do Ciclo de Atualização em Informática de Umuarama (CAINFU). A programação reuniu palestras, debates sobre carreira e mercado de trabalho, participação no Fórum de Docentes e Discentes e oficinas práticas, aproximando acadêmicos, egressos e profissionais que já atuam na área de tecnologia.
Ao longo de quatro dias, os participantes discutiram temas que fazem parte da rotina de quem trabalha ou pretende ingressar no setor, como inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento de sistemas, carreira em tecnologia, trabalho remoto, impressão 3D, automação, programação e novas ferramentas de IA.
A proposta também abriu espaço para que ex-alunos compartilhassem experiências profissionais e para que os próprios acadêmicos assumissem o papel de multiplicadores do conhecimento.
De acordo com o coordenador, Carlos Eduardo Simões Pelegrin, o evento surgiu ainda no período do curso de Ciência da Computação, passou pela trajetória de Sistemas de Informação e hoje integra as atividades do Núcleo de Tecnologia da Informação da Unipar, em Umuarama.
“Temos um evento que existe desde a época do curso de Ciência da Computação e que veio evoluindo junto com o curso de Sistemas de Informação e, agora, com o Núcleo de TI da Unipar de Umuarama. Em geral, realizamos atividades que trazem os egressos para perto, promovemos fóruns e também envolvemos a comunidade externa”, explicou Pelegrin.
Inteligência artificial abre a programação
A abertura ocorreu no dia 14 de setembro, às 19h, no Campus III. A primeira atividade colocou em pauta um dos assuntos que mais têm provocado mudanças na rotina dos profissionais de tecnologia: a inteligência artificial.
Com o tema “Além do Prompt: Orquestrando IA em Sistemas Complexos”, a palestra foi ministrada por Halef Augusto Dorigan de Almeida.
A atividade apresentou aos acadêmicos uma discussão sobre o uso da inteligência artificial para além das ferramentas mais conhecidas pelo público e sua aplicação no desenvolvimento de sistemas mais complexos.
Para Pelegrin, compreender como a IA está sendo incorporada pelas empresas está entre os principais desafios enfrentados atualmente por quem inicia uma carreira em tecnologia.
A velocidade das mudanças também exige das instituições de ensino um acompanhamento constante das práticas adotadas pelo setor.
“Hoje, eu acho que o principal desafio é entender como a inteligência artificial está inserida na área de desenvolvimento, porque é tudo muito novo. De três anos para cá, a nossa área mudou drasticamente e aUnipar está acompanhando a maneira como as empresas estão trabalhando”, afirma.
O professor explica que não existe uma única forma de utilização dessas ferramentas no ambiente corporativo, já que cada organização incorpora a tecnologia de acordo com suas necessidades.
Por isso, a formação acadêmica procura oferecer fundamentos que permitam ao estudante se adaptar aos diferentes cenários encontrados depois da graduação.
“A gente tenta incluir essa parte de inteligência artificial, porém cada empresa usa de um jeito diferente. Então, está difícil mapear uma forma de ensinar aos alunos que seja comum a todas as empresas. O que conseguimos ensinar é o básico, a base”, diz.
A partir desses fundamentos, acrescenta Pelegrin, os acadêmicos conseguem compreender como as ferramentas podem contribuir para aperfeiçoar processos e ampliar possibilidades dentro do desenvolvimento de software.
“Conseguimos ensinar a base e falar: ‘Olha, a partir daqui, se você usar uma inteligência artificial, vai conseguir melhorar isso infinitamente’. É isso que estamos conseguindo explicar para o pessoal”, comenta.
Fórum reúne docentes e estudantes
No segundo dia de programação, 15 de setembro, o CAINFU integrou o 33º Fórum de Docentes e Discentes (FDD), organizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). A atividade começou às 19h, no Teatro Neiva Pavan.
A participação no encontro proporcionou o contato dos estudantes com profissionais, professores e acadêmicos e inseriu o ciclo de atualização em uma programação voltada à troca de experiências entre a Universidade e representantes de diferentes áreas profissionais.
Segundo Pelegrin, essa aproximação faz parte da proposta construída para o CAINFU. Além dos conteúdos acadêmicos, a programação procura colocar os estudantes em contato com situações e discussões que encontrarão fora da sala de aula.
Egressos voltam à Unipar para falar sobre carreira
A programação de 16 de setembro concentrou as atividades no mercado de trabalho. Às 19h, na Sala de Vídeo Central do Campus Sede, o egresso Anderson Pereira de Souza ministrou a palestra “Carreira Tech: dicas de quem já está no mercado”.
Formado em Sistemas de Informação pela Unipar em 2015, Anderson retornou à Universidade para dividir com os estudantes experiências acumuladas ao longo da trajetória profissional. Durante a apresentação, abordou situações que vivenciou no setor e conhecimentos que considera importantes para quem está começando.
“Eu trouxe algumas dicas e algumas pílulas de conhecimento para o pessoal. São coisas que vi que funcionam bem no mercado de trabalho e que funcionaram bem para mim. Então, acho que estou pronto para compartilhar um pouco desse conhecimento com a galera”, conta.
A relação de Anderson com a Universidade não terminou com a graduação. Anos depois de concluir Sistemas de Informação, ele voltou à instituição para trabalhar como tutor mediador.
Atualmente, Anderson trabalha remotamente como tech lead na Involves, empresa de Florianópolis.
“Hoje sou tech lead em uma empresa e trabalho remotamente. Trabalhamos principalmente com um aplicativo mobile, e eu trabalho com React Native, que é uma tecnologia bastante utilizada atualmente no mercado. Agora estou mais na parte de liderança, gerencio quatro desenvolvedores e também tenho contato com as equipes de QA e de produto. Então, faço um pouco de tudo”, explica.
A experiência profissional também serviu como ponto de partida para conversar com os estudantes sobre as possibilidades abertas pela formação universitária. Anderson conta que a Unipar teve participação direta no início de sua trajetória no setor de tecnologia.
“Foi muito bom. A Unipar conseguiu abrir portas para mim, principalmente nas primeiras oportunidades. Eu só consegui a primeira oportunidade na área de TI por conta da Unipar”, afirma.
Depois de entrar no mercado, ele retornou à instituição profissionalmente e passou a compartilhar parte do conhecimento adquirido com outros acadêmicos.
Para o egresso, os fundamentos aprendidos durante a graduação continuam presentes em sua rotina, mesmo diante das rápidas transformações tecnológicas.
“Depois, ainda consegui voltar para a Unipar e trabalhar aqui. Então, também foi outra ótima oportunidade para contribuir com os acadêmicos. Vejo que a Unipar agregou muito à minha carreira, porque conseguiu formar bases que uso até hoje. Às vezes, as pessoas acham que vão ficar desatualizadas por causa da faculdade, mas não. Hoje, bases que vi há dez anos ainda são utilizadas no meu dia a dia”, diz.
A programação do dia 16 continuou às 20h45, também na Sala de Vídeo Central, com o talk show “Trabalho Remoto e Mercado de Trabalho”, conduzido por Anderson Pereira de Souza e Guilherme Moretto de Araújo.
A conversa levou aos estudantes experiências de profissionais que já vivenciam diferentes modelos de atuação no setor de tecnologia. O formato permitiu discutir não apenas conhecimentos técnicos, mas também os caminhos possíveis para construir uma carreira depois da graduação.
A escolha do mercado de trabalho como um dos principais eixos do CAINFU também levou em consideração a proximidade da conclusão do curso para acadêmicos de Sistemas de Informação e de Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
De acordo com Pelegrin, a preocupação foi pensar em como esses futuros profissionais poderão utilizar o conhecimento adquirido na Universidade para conquistar espaço no setor, desenvolver projetos próprios ou até abrir uma empresa.
“A ideia inicial foi sempre essa: olhar para o mercado e trazer as empresas para perto da gente. Temos uma turma de Sistemas de Informação próxima da formatura e também uma turma de Análise e Desenvolvimento de Sistemas que se forma no fim do ano. Então, pensamos em como preparar esses profissionais para que, no ano que vem, possam entrar no mercado de trabalho, abrir uma empresa e seguir a carreira”, explica.
Nesse processo, a inteligência artificial aparece ao mesmo tempo como ferramenta de trabalho e como uma transformação que exige adaptação. Pelegrin observa que o cenário ainda está em construção e que empresas e profissionais continuam buscando maneiras de incorporar a tecnologia às equipes.
“Encontramos hoje uma barreira em empresas que acham que contratar uma inteligência artificial é melhor do que contratar uma pessoa. Em outros lugares do mundo, esse movimento já começa a mudar e as empresas estão voltando a contratar pessoas. Acho que a turma que se formar neste ano terá esse desafio para entrar no mercado de trabalho”, avalia.
Ainda assim, o professor considera que o contato com profissionais e empresas durante a graduação ajuda os acadêmicos a entender melhor o cenário que encontrarão.
“Depois das palestras, eles já têm uma base de como evoluir na carreira e de como uma das empresas parceiras utiliza a inteligência artificial no desenvolvimento de software. Então, eles já conhecem pelo menos uma parte desse mundo. A gente já deu uma base para eles. O CAINFU foi pensado também para esse lado, para atualizá-los para o mercado de trabalho”, explica.
Alunos assumem oficinas
O encerramento da programação ocorreu em 17 de setembro com o Dia de Oficinas. Dessa vez, os laboratórios de Informática do Campus Sede se transformaram em espaços para atividades práticas, com estudantes e integrantes da comunidade universitária compartilhando conhecimentos sobre diferentes tecnologias.
Entre 19h e 22h, Lucas Matheus de Araújo Lucena conduziu a oficina “Modelagem e Impressão 3D: da Ideia ao Protótipo”. No mesmo horário, André Guilherme Cirino Codato e João Pedro de Mello Delgado apresentaram “Docker na Prática — Do Zero ao Deploy Automatizado”.
A programação também contou, das 19h às 22h, com “Como Utilizar o Claude e o Claude Code”, ministrada por Otávio Silva Fernandes, além da oficina “Enxergando sem Câmeras: Transformando Sinais de Rádio em Radares com CSI e IA”, conduzida por Rui Lucas Anthony Gomes.
Outra atividade começou às 19h15 e seguiu até as 22h. A “Oficina de Tecnologia para Mulheres Empreendedoras” foi promovida pelo Código ADA, ampliando os temas abordados no último dia do ciclo.
Para Pelegrin, colocar os próprios estudantes à frente de parte das oficinas cria uma dinâmica diferente: quem adquiriu determinado conhecimento passa a compartilhá-lo com os colegas e contribui para ampliar o uso dos recursos disponíveis na Universidade.
“Os alunos desenvolveram oficinas para os próprios alunos. O público se direcionou aos laboratórios e eles ensinaram os colegas a trabalhar com inteligência artificial e a utilizar a infraestrutura que temos, como a impressora 3D. Também tivemos um funcionário da Unipar ministrando uma atividade de modelagem para impressão 3D, mostrando como funciona todo esse processo”, conta.
A troca de experiências ganha ainda mais importância em uma área na qual estudantes entram rapidamente no mercado e passam a trabalhar com novas ferramentas. Para o professor, trazer esse conhecimento de volta ao ambiente universitário ajuda a manter a circulação de experiências entre diferentes turmas.
“São recursos que temos e que, muitas vezes, apresentam possibilidades que ainda podem ser mais exploradas. Os alunos seguem seus caminhos e levam o conhecimento que adquiriram. Então, nada mais justo do que também compartilharem aquilo que sabem e ensinarem os colegas”, finalizou.