Simpósio de Psicologia promove espaço de diálogo com a sociedade

Publicado em 2 de Setembro de 2022 às 08:54

Foram três debates importantes: luto frente à pandemia, Psicologia jurídica e autismo

Na última semana, aconteceu na Universidade Paranaense – Unipar, em Cascavel, o XIX Simpósio de Psicologia. Na programação teve mesas-redondas, Fórum Pedagógico e de Egressos. Psicólogos de Cascavel e de outras cidades do Estado compartilharam suas vivências.

A abertura trouxe o tema ‘Lutos e lutas na sociedade pós-Covid’, abordado por José Siderval Grigoleto Neto, Giovana Kreus e Marina Mota.

A proposta foi apontar os impactos da pandemia e a mudança de rituais, inclusive nas questões de luto. “Passamos a não poder acompanhar nossos doentes na hospitalização, velar nossos mortos. Tivemos que nos adaptar quanto às formas de adoecer, morrer e conviver com a ausência de suporte social nesse período, que rompe com o que tínhamos como presumido e nos deixa sem referências para construir uma nova forma de viver em sociedade”, destacou Giovana.

Também foram abordados os pontos específicos do luto para a criança, o que a criança perde, como foram os reflexos desse contexto de pandemia para o seu desenvolvimento, como compreende a morte nas diferentes faixas etárias, como abordar e a importância de introduzir o tema na escola.

O ambiente hospitalar também foi cerne das discussões. A mesa falou da experiência do luto para os profissionais de saúde, adaptações e adequações feitas em caráter de emergência. “Fomos lidando conforme as coisas aconteciam e aprendendo como melhorar o nosso trabalho daqui para frente”, compartilhou Marina.

Outro tema da semana foi a ‘Psicologia jurídica’, debatido por Elaine Veronese, Maristela Cortinhas e Gabriela de Conto. Cada profissional apresentou uma vertente de atuação. Falou-se sobre o papel do psicólogo na área da adoção, destituição do poder familiar, a preparação dos pretendentes à adoção, a preparação das crianças, e o grande encontro - a finalização da adoção e o acompanhamento após a adoção.

Dentro do contexto jurídico, explanou-se sobre a violência contra crianças e adolescentes, questão do abuso sexual e dos procedimentos para depoimento dessas crianças em juízo. O debate trouxe, ainda, a atuação do psicólogo nas varas de Família, os aspectos éticos, teóricos e técnicos dessa atuação, o trabalho nos tribunais e a realização de avaliação psicológica.

Também esteve entre as pautas ‘A causa do autismo – diálogos em Psicologia’. Contribuíram com a mesa Tamara Pasqualatto, Ana Lúcia Ferreira e Graciane Barbosa da Silva. Tendo em vista que a psicologia é uma ciência plural, o assunto foi abordado por diferentes perspectivas teóricas: Existencial, Comportamental e Psicanálise.

As psicólogas defenderam olhar além do transtorno, olhar para o autista como uma pessoa que está disposta no mundo e tem condições de aprender comportamentos. Também refletiu qual o espaço na sociedade para as limitações. No foco estiveram as práticas de atuação das equipes multiprofissionais, papel do psicólogo, práticas baseadas em evidência.

“Pesquisas indicam a crescente no número de casos. A cada trinta crianças, uma com autismo. O aumento dessa prevalência se dá por várias questões, como o refinamento do diagnóstico e a pós pandemia, que pode levar a um diagnóstico errôneo. A intervenção em psicologia pretende preparar o indivíduo com autismo para viverem com autonomia e integrar os diferentes espaços”, disse Graciane.

Outra perspectiva foi da psicanálise, partindo da clínica em direção à política - pólis - enquanto diálogo das ideias e não espaço do totalitarismo. “Minha fala parte da clínica enquanto perspectiva de trabalho individual, singular, mas que dialoga com a sociedade. Vamos pensar o que tem no autismo que caracteriza um modo que é próprio da contemporaneidade de viver, de sofrer, de trabalhar. Isso para que possamos desnaturalizar esse diagnóstico. Autismo não é questão de um indivíduo isoladamente”, enalteceu Tamara.