A iniciativa envolve coleta e análise de amostras de poços e fontes, além da implantação de sistemas de tratamento para consumo humano
A qualidade da água consumida por famílias do meio rural de Francisco Beltrão está no foco de um projeto de extensão da Universidade Paranaense (Unipar) que avalia a presença de microrganismos indicadores de contaminação. O projeto, denominado “Água Boa”, prevê a análise de amostras coletadas em fontes e poços utilizados para consumo humano em propriedades rurais do município. A iniciativa busca identificar riscos à saúde e orientar moradores sobre práticas adequadas de uso e tratamento da água.
O projeto prevê que para o consumo humano, a água deve estar livre de contaminação biológica, incluindo bactérias, vírus, protozoários e helmintos. Nesse contexto, a presença de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli é utilizada como parâmetro para avaliar o grau de poluição e a potabilidade.
De acordo com o professor Volmir Benedetti, do curso de Farmácia do campus de Francisco Beltrão, o projeto foi criado em 2021, durante a pandemia, e está sendo retomado em 2026. As equipes visitam propriedades que utilizam água de poços rasos, minas ou fontes, especialmente aquelas que produzem alimentos destinados à merenda escolar. “A gente vai nessas propriedades indicadas pela prefeitura, que são propriedades que produzem algum tipo de alimento vendido para a merenda escolar”, afirma.
Até o momento, já foram analisadas águas de cerca de 60 propriedades. As famílias recebem laudos técnicos, orientações e recomendações de melhorias. Em alguns casos, haverá retorno às propriedades onde a prefeitura, em parceria com outras entidades, implantou sistemas de proteção de fontes, para verificar os resultados das intervenções.
A meta para este ano é realizar mais 60 análises, totalizando 120 propriedades atendidas até o fim de 2026. “É muito gratificante quando a gente consegue ajudar e contribuir com as pessoas que muitas vezes tomam uma água no interior e nem sabem se ela é potável ou não.”
A iniciativa foi estruturada a partir de demandas levantadas pelos agricultores na Secretaria Municipal de Agricultura. Após a definição dos custos, foram estabelecidas parcerias para viabilizar a execução.
A próxima fase prevê a ampliação das análises e a implantação de sistemas de tratamento para famílias que não possuem condições financeiras. Ao todo, a estimativa é de que mais de 400 pessoas sejam beneficiadas com a execução completa do projeto.
Além da coleta e análise da água, o projeto inclui ações educativas e de intervenção direta. Entre as medidas estão a elaboração de cartilhas com orientações sobre métodos de descontaminação, cuidados com as fontes e a instalação de cloradores para tratamento da água.
Também são realizadas atividades de conscientização sobre a importância da preservação dos recursos hídricos e do consumo seguro.
Participam do projeto a Unipar, o Rotary Clube Francisco Beltrão – Cango, a cooperativa Cresol, a Prefeitura de Francisco Beltrão, o Laboratório LGQ e a Fundação Rotária.
Última atualização em 11 de Maio de 2026 às 18:29