Programa Evolução estreia em outubro para acompanhar formação dos estudantes da Unipar

Publicado em 22 de Setembro de 2026 às 12:07

Teste de Progresso avaliará acadêmicos do primeiro ao último ano

A Universidade Paranaense (Unipar) prepara para outubro a primeira edição do Programa Evolução, iniciativa criada para acompanhar como o conhecimento dos estudantes se desenvolve ao longo da graduação.

Por meio do Teste de Progresso, acadêmicos do primeiro ao último ano farão a mesma avaliação, permitindo observar avanços e identificar pontos que ainda precisam ser desenvolvidos.

A proposta foge do modelo tradicional de prova. O Programa Evolução não vale nota, não tem caráter punitivo e também não funciona como simulado para exames externos. A avaliação é diagnóstica, formativa e a longo prazo.

Na prática, os resultados formarão um histórico da trajetória acadêmica, com comparações entre diferentes séries e edições.

A estreia está prevista para ocorrer simultaneamente no dia 27 de outubro de 2026.

A proposta inicial contempla até dez cursos presenciais da área da saúde e áreas afins, em todas as séries e unidades em que são ofertados: Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Biomedicina, Nutrição, Odontologia, Educação Física (bacharelado), Medicina Veterinária, Agronomia e Psicologia.

Medicina, que já utiliza instrumentos próprios, será referência metodológica para a implantação.

Preparação começou em agosto

Os primeiros passos para a implantação começaram em agosto, com reuniões entre as coordenações dos cursos e os Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs). Desde então, as equipes trabalham na construção das matrizes que servirão de base para as avaliações.

Entre agosto e setembro, o foco está na elaboração e validação dos blueprints, além da produção das questões. Cada NDE define as grandes áreas, os conteúdos e as competências que deverão aparecer na prova.

A Coordenação de Indicadores Acadêmicos, ligada ao Núcleo de Inteligência Acadêmica, acompanha esse processo com metodologia, suporte e modelos.

O blueprint é, de forma simples, o mapa da avaliação. Ele estabelece previamente o que será avaliado e o peso de cada área.

A ideia é garantir uma prova equilibrada, que represente os conhecimentos considerados essenciais para a formação, em vez de reunir questões isoladas ou escolhidas sem uma referência comum.

A matriz também precisa dialogar com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e a matriz do Enade correspondente à área. A organização é feita por grandes áreas de conhecimento, e não por disciplinas separadas.

Cada curso constrói sua avaliação

O conteúdo não chega pronto aos cursos. Cabe a cada NDE definir de cinco a seis grandes áreas temáticas que representem os principais eixos da formação e estabelecer o peso de cada uma delas.

Depois, são selecionados de 15 a 20 tópicos de referência por área. Também são definidos os níveis cognitivos que serão exigidos, como compreensão, aplicação e análise.

A prioridade é criar perguntas que levem o estudante a raciocinar diante de situações contextualizadas, e não apenas a memorizar conteúdos.

Todo esse trabalho precisa ser concluído até 30 de setembro. Para integrar a primeira edição, o curso deverá ter seu blueprint validado pelo NDE e registrado em ata até essa data

Quem não finalizar a etapa dentro do prazo poderá entrar na segunda edição, prevista para o primeiro semestre de 2027.

A produção das perguntas também segue regras específicas. Cada questão deve partir de uma situação-problema ou de um contexto relacionado à futura atuação profissional, apresentar um comando claro e evitar a simples memorização de conceitos.

As perguntas precisam estar vinculadas à área, ao tópico e ao nível cognitivo estabelecidos no blueprint. As alternativas incorretas devem ser plausíveis e construídas de maneira que não entreguem pistas sobre a resposta certa.

Antes de entrar na prova, cada questão passa ainda pela chamada revisão cruzada. Outro professor da área analisa o conteúdo para verificar se a pergunta está de acordo com o blueprint, se o enunciado está claro, se existe apenas uma resposta correta e se as demais alternativas são adequadas.

Essa é uma das principais diferenças do Programa Evolução. Enquanto um simulado costuma preparar o estudante para uma prova específica, como Enade ou Enamed, o Teste de Progresso acompanha a formação desde os primeiros anos.

A mesma avaliação será aplicada aos estudantes de todas as séries do curso. Isso significa que um acadêmico do primeiro ano responderá à mesma prova feita por quem está perto de concluir a graduação.

De acordo com o professor de imunologia do curso de Medicina, Nelton Anderson Bespalez Correa, a intenção não é esperar que todos tenham o mesmo desempenho, mas justamente observar como o conhecimento cresce à medida que o estudante avança na formação.

“Com esse instrumento, o aluno passa a conhecer a própria trajetória: em quais áreas e temáticas ele tem mais domínio, e em quais precisa avançar. Isso é ouro para o próprio estudante — porque ele pode direcionar os estudos com foco, chegar mais preparado para o Enade, mas, acima de tudo, se formar um profissional mais completo, mais preparado para entrar no mercado de trabalho”, disse.

Por isso, não haverá nota, punição ou qualquer consequência acadêmica relacionada ao desempenho. O que o estudante recebe em troca é um retrato da própria trajetória: poderá identificar áreas em que avançou, conhecimentos que ainda precisam ser desenvolvidos e, nas próximas edições, comparar sua evolução.

“Não é uma prova que reprova ninguém. É diagnóstica, formativa — existe para revelar, não para julgar. E esse retrato não serve só ao aluno: as coordenações também enxergam, com antecedência, onde cada curso precisa de reforço, e podem agir a tempo, muito antes da prova oficial”, explicou.

Para as coordenações, os resultados também oferecerão indicadores por série e área de conhecimento, que poderão auxiliar na gestão pedagógica.

Os professores terão informações para compreender melhor o processo de aprendizagem das turmas e os acadêmicos poderão acompanhar o próprio desenvolvimento durante a graduação.

Os cursos envolvidos nas avaliações do Enade de 2026 não participarão desta primeira edição. A medida evita que o Programa Evolução seja confundido com uma preparação de última hora para o exame nacional.

Esses cursos continuam atendidos pelas ações específicas de preparação e poderão ingressar no Teste de Progresso em 2027.

Primeira aplicação

Depois da conclusão dos blueprints, outubro será dedicado à montagem das provas e à organização da aplicação. O Teste de Progresso será realizado em 27 de outubro e marcará o início da construção da linha de base do Programa Evolução.

Como esta será a primeira medição, ainda não haverá metas de desempenho. Os resultados funcionarão como ponto de partida. É a partir deles que as próximas edições poderão mostrar, na prática, quanto o conhecimento dos estudantes evoluiu.

Entre os critérios definidos para a estreia estão a validação dos blueprints de pelo menos sete dos dez cursos até 30 de setembro e a participação de, no mínimo, 60% dos estudantes aptos nos cursos participantes. A aplicação também deverá ocorrer simultaneamente e preservar o sigilo do banco de questões.

Resultado

Após a aplicação, o trabalho continua. Novembro será dedicado à tabulação dos dados e à preparação dos resultados. A previsão é que cada estudante receba uma devolutiva individual e que os cursos tenham acesso aos relatórios até 30 de novembro.

O retorno não deverá se limitar ao número de respostas certas e erradas. Como cada questão está ligada a uma área, um tópico e um nível de conhecimento, será possível oferecer informações mais detalhadas sobre o desempenho.

As justificativas das alternativas também poderão fazer parte do feedback entregue aos acadêmicos.

É aí que aparece uma das principais propostas do Programa Evolução: trocar a fotografia de uma única prova por um filme da formação. A cada nova edição, o estudante acrescentará outro ponto à própria trajetória e poderá visualizar como seu conhecimento mudou ao longo do curso.

Para a Universidade, esse acompanhamento também permitirá identificar tendências de aprendizagem e fornecer informações que auxiliem as decisões pedagógicas de cada graduação.

“Então é uma via de mão dupla: o aluno sai ganhando ao entender seu próprio percurso acadêmico, e a instituição sai ganhando ao tomar decisões com base em evidência, não em surpresa. No fim, o que está em jogo é a formação de profissionais mais preparados para o mercado e isso interessa a todos nós”, finalizou.

Próxima edição

A 2ª edição está prevista para o primeiro semestre de 2027. Além de receber os cursos que não participarem da estreia, essa nova etapa permitirá realizar a primeira comparação dos resultados de quem fizer o teste em outubro de 2026.

Com aplicações periódicas, a proposta é construir um histórico extenso da aprendizagem. Em vez de olhar apenas para o desempenho do estudante em um único momento, o Programa Evolução acompanhará diferentes etapas da graduação.

Última atualização em 22 de Setembro de 2026 às 15:39