Atividade abordou os desafios do cuidado em saúde mental, os direitos das pessoas em sofrimento psíquico e os impactos de práticas de exclusão ainda presentes na sociedade
Acadêmicos do curso de Psicologia da Universidade Paranaense (Unipar), campus de Francisco Beltrão, participaram de uma atividade de imersão em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio. A ação integrou as atividades da disciplina de Saúde Mental e Contemporaneidade, do 7º período, e teve como objetivo estimular a reflexão crítica sobre os modelos de cuidado em saúde mental e os processos históricos de exclusão de pessoas em sofrimento psíquico.
De acordo com a professora Tagley Cristina Moras, responsável pela disciplina, a atividade foi concebida como um dispositivo de formação acadêmica voltado à problematização das práticas de medicalização, institucionalização e exclusão que marcaram a história da assistência em saúde mental.
“Ao ocupar os espaços da universidade com intervenções reflexivas, favoreceu-se a ampliação do debate acerca dos limites dos modelos diagnósticos e das violências produzidas por lógicas manicomiais ainda presentes na contemporaneidade.”
Segundo a docente, a proposta permitiu aproximar teoria, ética e prática profissional, fortalecendo discussões relacionadas ao cuidado em liberdade, à singularidade dos sujeitos e à defesa dos direitos humanos.
“Nesse sentido, a atividade ultrapassou o caráter expositivo, promovendo posicionamento crítico, implicação ética e construção coletiva do conhecimento frente às demandas da saúde mental, além de enfatizar práticas profissionais que ainda carregam lógicas de aprisionamento dos sujeitos em relação aos seus sofrimentos”, reforça.
Acadêmicos destacam importância da conscientização
Entre os participantes da atividade estavam os acadêmicos Kauan Reas Correa, Pedro Henrique Ribeiro de Jesus e Camille da Silva Cassol, que ressaltaram a relevância do tema para a formação profissional e para a sociedade.
Kauan explicou que os estudantes desenvolveram diferentes trabalhos para abordar aspectos históricos e atuais da luta antimanicomial. O grupo dele apresentou um material sobre a Reforma Psiquiátrica e a trajetória do psiquiatra italiano Franco Basaglia, considerado uma das principais referências do movimento.
“Nosso trabalho trouxe, de forma lúdica, a história de Franco Basaglia e a importância dele para a luta antimanicomial. Outros grupos também abordaram aspectos históricos e reflexivos, mostrando que muitas práticas mudaram de nome ao longo do tempo, mas ainda reproduzem formas de exclusão e controle.”
Para Pedro Henrique Ribeiro de Jesus, a discussão permanece atual porque muitos mecanismos de exclusão continuam presentes em diferentes contextos.
“É importante refletirmos constantemente sobre a luta antimanicomial e sobre o cuidado em liberdade. Ainda existem práticas que podem aprisionar os sujeitos, seja pela institucionalização, seja pelo excesso de medicalização. Precisamos continuar buscando estratégias de cuidado que respeitem a singularidade das pessoas e sua inserção no território onde vivem”, observa.
Defesa do cuidado em liberdade
A luta antimanicomial defende a substituição dos modelos centrados no isolamento e na segregação por práticas de atenção psicossocial baseadas no cuidado em liberdade, no respeito aos direitos humanos e na inclusão social das pessoas em sofrimento psíquico.
Por meio da atividade, os acadêmicos foram convidados a refletir sobre os avanços conquistados pela Reforma Psiquiátrica Brasileira e os desafios ainda existentes para a construção de uma atenção em saúde mental mais humanizada e inclusiva.