Biotecnologia aplicada à agricultura é tema de encontro acadêmico entre Brasil e Moçambique

Publicado em 29 de Setembro de 2026 às 15:15

Professores do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura e dos cursos de Agronomia da Universidade Paranaense (Unipar), dos campi de Umuarama e Toledo, participaram de uma atividade acadêmica internacional com estudantes de Engenharia Agronómica da Universidade Rovuma, em Moçambique.

O encontro foi realizado a convite da professora e pesquisadora Sunera Zulficar Nurmomade, diretora-adjunta administrativa, e do engenheiro Walter Saibo, diretor do curso.

Durante quatro horas de aula online, Glacy Jaqueline da Silva e Odair Alberton apresentaram temas de Microbiologia do Solo. A atividade reuniu estudantes do curso de Engenharia Agronómica do Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente da Universidade Rovuma, em Montepuez.

Os participantes fizeram perguntas e discutiram como os conhecimentos da área podem ser aplicados na agricultura.

Glacy abordou a fixação biológica de nitrogênio, a dinâmica do carbono no solo, a solubilização de fósforo e as interações microbianas. Alberton falou sobre micorrizas, bioinsumos e as relações entre plantas e microrganismos.

Conteúdo da aula

Os temas apresentados têm relação direta com o desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis. Os microrganismos do solo participam de processos importantes para a fertilidade, a nutrição das plantas, a ciclagem de nutrientes e a manutenção da qualidade do solo.

A fixação biológica de nitrogênio, a solubilização de fósforo, as associações micorrízicas e o uso de bioinsumos são exemplos de processos e tecnologias que podem melhorar o aproveitamento de nutrientes e reduzir a dependência de insumos químicos.

Além de apresentar os fundamentos científicos desses processos, a aula abriu espaço para discutir sua aplicação em diferentes realidades agrícolas e ambientais.

Cooperação entre as universidades

A atividade aproximou a Unipar e a Universidade Rovuma e poderá abrir caminho para futuras iniciativas em ensino, pesquisa, inovação e formação de recursos humanos.

Entre as possibilidades estão novas atividades acadêmicas, pesquisas em colaboração, participação conjunta em eventos científicos, publicações em coautoria e intercâmbio de professores e estudantes.

O contato também amplia a internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da Unipar, que oferece mestrado e doutorado e mantém colaboração com pesquisadores e instituições de diferentes países.

Para os professores da universidade brasileira, a aula foi uma oportunidade de intercâmbio acadêmico e científico e de aproximação com estudantes e pesquisadores moçambicanos.

A expectativa é que a conversa iniciada durante a atividade resulte em novas ações conjuntas e em oportunidades de formação internacional para estudantes de graduação, mestrado e doutorado. A iniciativa também pode estimular o compartilhamento de conhecimentos e pesquisas de interesse comum.

O que dizem estudantes e docentes

Hélder Tomo, estudante de Engenharia Agronómica da Universidade Rovuma, destacou os conhecimentos que adquiriu durante a atividade.

“Aprendi muita coisa que não sabia com os professores Glacy Jaqueline da Silva e Odair Alberton. Sobre as micorrizas, consegui aprender muitos conceitos e definições. Agradeço muito pela explicação dos professores.”

Dalton Mariano Robath também agradeceu aos pesquisadores brasileiros pela aula sobre micorrizas e pela oportunidade de conhecer a relação entre fungos, plantas e solo.

“Quero expressar, com profunda gratidão, o meu muito obrigado ao doutor Odair e à doutora Glacy, pesquisadores brasileiros, pela maravilhosa explicação sobre as micorrizas. Mais do que uma simples explicação, foi uma verdadeira oportunidade de aprender, refletir e descobrir a beleza que existe na relação entre os fungos, as plantas e a vida no solo”.

Interesse em outras áreas

A docente Eunice Laice, da Faculdade de Ciências Alimentares e Agrárias, destacou a participação dos dois grupos e sugeriu que futuras atividades abordem outros temas.

“Vale muito a pena esse tipo de interação. Gostaria de pedir que abordássemos outras áreas do saber, especificamente extensão rural, disseminação de inovação no meio rural e sociologia agrária”.

A docente Esperança de Fátima Omar, também da Faculdade de Ciências Alimentares e Agrárias, ressaltou a troca entre os participantes e os temas discutidos.

“Houve muita interação entre os participantes brasileiros e moçambicanos, principalmente nas colocações feitas e nos esclarecimentos. De uma forma geral, a aula foi boa. Agradeço aos professores Glacy e Odair”, finalizou.