Estudo identifica danos estruturais e subsidia projeto de conservação da Igreja Divino Espírito Santo
No sábado, 14 de março, a histórica Igreja Divino Espírito Santo, em General Carneiro, no extremo Sul do Paraná, recebeu acadêmicos do 9º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paranaense (Unipar), campus de Francisco Beltrão. A equipe realizou um levantamento técnico e arquitetônico detalhado da edificação, que possui cerca de 133 anos de história.
A atividade foi conduzida pela professora e arquiteta Gilda Botão, responsável pelo Projeto de Conservação e Restauro da igreja. Durante o trabalho de campo, os acadêmicos utilizaram equipamentos como trenas a laser, câmeras fotográficas, drone e itens de segurança para registrar as características construtivas e avaliar as condições estruturais do prédio.
O objetivo do levantamento é identificar os principais agentes de degradação que afetam a edificação, gerando dados técnicos que servirão de base para futuras ações de preservação e restauro. A metodologia incluiu inspeção visual detalhada e registro fotográfico, permitindo o mapeamento de pontos críticos da construção.
De acordo com a professora, entre os problemas identificados estão ataques biológicos, como cupins e fungos na estrutura de madeira, umidade ascendente nas paredes provocada pela capilaridade, oxidação de elementos metálicos antigos e intervenções modernas inadequadas, como fiações expostas que comprometem as características originais do patrimônio.
Além da análise estrutural, o estudo também destacou a relevância histórica e cultural da igreja para a comunidade do Marco 5, formada por descendentes de ucranianos. Elementos tradicionais da arquitetura regional foram documentados, como o sistema construtivo em madeira com encaixes e as cúpulas revestidas em zinco, características que reforçam o valor histórico do templo.
O trabalho contou com o apoio da comunidade local. Sérgio e André Zamulak auxiliaram a equipe no acesso a pontos mais elevados da estrutura, especialmente na área da cúpula, considerada de difícil acesso.
A recepção aos acadêmicos também foi marcada pela hospitalidade dos moradores. Um café foi oferecido por Marta Zamulak, Marino Magueniski, Eugênio e sua esposa, além de outras mulheres da comunidade, que contribuíram para acolher a equipe durante a atividade.