Acadêmicos, profissionais da assistência social e psicologia e a sociedade se mobilizam pelo combate à violência
Acreditando na causa, a Universidade Paranaense – Unipar sediou o 9º Fórum Municipal de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, promovido pelo Creas I (Centro de Referência Especializado em Assistência Social) com apoio da Secretaria de Assistência Social, na última quarta-feira.
Na década de 1970, lei federal instituiu 18 de maio como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O motivo, uma garota de oito anos foi sequestrada, violentada, espancada, estuprada, drogada e morta. A barbaridade aconteceu no Estado do Espírito Santo e os responsáveis não foram punidos.
E assustador é o fato de 80% das agressões estarem ligadas ao seio da família. A coordenadora do Creas I, Hellen Borsato Pires, explica que esse Fórum é uma forma de sensibilizar e conscientizar sobre a gravidade dos crimes e buscar soluções para o enfrentamento da violência: “É uma data emblemática, em que realizamos diversas atividades que servem como mecanismos para combater esse fenômeno”.
Conferencista contra a pedofilia, teólogo e psicopedagogo, Reginaldo Moreira contou que de 1976 a 1979 foi vítima de pedofilia por um funcionário de confiança do pai: “Houve uma mudança radical no meu comportamento e, na ignorância, meus pais não souberam ver o que estava acontecendo”.
Ao fugir do medo encontrou as drogas e a violência: “É muito fácil julgar o outro sem saber o que o levou a ‘escolher’ aquele caminho”, afirma. Sua experiência segue mundo a fora. Ao erguer a bandeira, em uma de suas viagens, o conferencista ajudou a derrubar um cartel de pedofilia na África, um hotel cinco estrelas em pleno deserto.
“A tarefa de denunciar é nossa, pois é fácil identificar os sinais da violência física e sexual. Se não fizermos nada estaremos matando o nosso futuro porque são pessoas que vão levar para sempre as cicatrizes. Temos que fazer nosso Estatuto gerar seus efeitos e com garra defender nossas crianças”, disse o presidente do Conselho de Enfrentamento ao Abuso Sexual, Pedro Araújo.
A abertura do evento foi abrilhantada por apresentação de dançarinos do programa Atitude, da prefeitura de Cascavel. Para palestrar, foi convidada a professora da UEL e assistente social Vera Suguihiro. Ela informou que o Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei universal que vem para proteger e promover direitos, o que muitos não percebem e por isso criticam o Estatuto, é que, embutido nos direitos estão os deveres. “Essa lei garante vida digna para todas as crianças e adolescentes e é de responsabilidade do Estado, família e sociedade. O nosso Estatuto precisa ganhar visibilidade e respeito”.
Também expõe que a violência deve ser trabalhada como uma questão de polícia e não pública. Segundo ela, a cultura brasileira é enraizada e precisa desconstruir algumas ideias e preconceitos, “aprendendo a ouvir, compreender, legitimar e criar espaço para desenvolver a potencialidade da criação humana”.
No evento, marcaram presença, o prefeito em exercício, Jadir de Mattos, o juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, Sérgio Kreuz, a diretora do Campus, professora Débora Venturin, e outras autoridades. Também em alusão a data, acadêmicos e professoras do curso de Psicologia participaram de atividade recreativa, organizada pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social), no bairro Cascavel Velho.
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